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Pode-se afirmar que as ações para estruturação do sistema viário caxiense são fortes e presentes já faz muitos anos. Apesar dos altos investimentos em novas ruas e ampliação e sistematização das existentes, observa-se a deterioração das condições de trânsito em Caxias do Sul, assim como ocorre nas grandes cidades do país.
Somente no ano passado ingressaram mais de 16.000 veículos novos à frota caxiense, repercutindo na formação de uma das 10 mais altas taxas de motorização dentre as cidades brasileiras, superando até mesmo a da capital do estado.
A simples oferta de capacidade viária destinada ao deslocamento individual gera demandas de trânsito de veículos em igual ou maior proporção, em um círculo vicioso sem solução.
Daí se diz que trânsito e transporte coletivo andam juntos, e bem quando os dois vão bem, ou mal quando os dois vão mal.
Modernamente, o paradigma BRT - Bus Rapid Transit - tem norteado as soluções para um transporte coletivo eficiente e economicamente viável, com boas consequências para o trânsito em geral.
O investimento em 1 km de metrô permite implantar 2 km de trem pesado, ou 6 km de trem leve (tipo o Trem Regional), ou ainda, 60 km de BRT.
Dentro do planejamento urbano, um sistema de transporte coletivo, por ônibus, para classificar-se como um BRT, necessita transitar em canaletas exclusivas, possuir estações para embarque/desembarque rápido, preferencialmente pré-tarifadas, e adotar veículos com grande capacidade operando na forma tronco-alimentada.
Caxias do Sul tem se aproximado bastante deste conceito, especialmente quando forem concluídas as Estações Principais de Integração, uma no Bairro Floresta, e outra, próxima ao Monumento ao Imigrante, que permitirão a troncalização de cerca de um quarto do sistema atual.
O plano completo, chamado troncalização plena, prevê a construção de outras 8 Estações Principais de Integração, situadas ao longo do anel perimetral urbano.
Há outras inovações que são bem-vindas. Os painéis de LCD informando quantos minutos faltam para a passagem do ônibus de determinada linha, baseados em informações obtidas através de aparelhos GPS instalados nos ônibus, e os sistemas de bilhetagem eletrônica, que permitem o reconhecimento de uma continuidade de viagem, sem cobrança de nova tarifa.
No que refere aos veículos, não devemos nos fixar apenas nos ônibus diesel, como os conhecemos, mas também na possibilidade de utilizarmos veículos híbridos diesel/elétricos, ou ônibus elétricos sem rede de energia, a semelhança do BRT de Xangai-China, onde os ônibus alimentados por baterias fazem pequenas recargas rápidas, apenas nas estações de embarque e desembarque, através de uma haste escamoteável.
O BRT é atraente ao uso do público e deve ser considerado, talvez, como a maior solução para o trânsito da cidade, pois possibilita, através da qualificação do transporte coletivo, o arrefecimento da escalada vertiginosa do número da automóveis em circulação.
Juliano De Ros
Eng. Civil
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